segunda-feira, 14 de março de 2011

Aperto

O nó que te sufoca,
a dor que te incomoda.

O grito que te cala
A alma que fala.

O tudo e o nada que te transborda
o Não que te acorda

O que lhe dá quando o sonho acaba

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sobre as reticencias

Sempre há um começo, com um lindo e destacado paragrafo; óbvio e corriqueiro.
Porém nem sempre as coisas acabam; melhor dizendo, nem sempre temos um ponto final demarcando o fim, ficamos nas incertas e nebulosas reticencias...
Foi assim com isso que não podemos nomear e que ainda encontra-se em suspensão.
Sem definição, nem pontuação
Nos encontramos nesse espaço incerto, indefinido, impensado e incompreensível que são as reticencias
Já lhe disse naquilo que ouso chamar de nosso passado que sempre necessitei de pontuação, sempre tive essa mania louca de querer saber se o que vivo é o presente, o passado ou as portas de um futuro.
Essa coisa de leitora assídua me afeta e me prende aos tempos verbais que a vida carrega.Vivo em palavras e por isso preciso de pontuação, para que não me torne um amontoado de letras embaralhadas sem sentido e sem função.
Você sabia dessa minha mania quando se arriscou a escrever na minha historia.Conhecia meus tempos verbais e meu apego a pontuação.
Iniciou um paragrafo cheio de mistérios, com frases inacabadas e intenções pairando nas entrelinhas, sem aviso deixou reticencias, não definiou uma virgula nem um ponto final.. simples e incompreensíveis reticencias...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Primeiras Lágrimas


















Tudo foi acumulo
Todo nó se engrandeceu
Todo nada se transformou
Todo se fez tudo e
Tudo transbordou

No dia do riso elas roubaram a cena,
estrearam o show sem nenhum problema
A engasgaram e tranbordaram

Chegaram em forma de dor, e depois de desabafo de desamor.
Fizeram lhe a cabeça girar e lhe aconselharam ao coração mais uma vez congelar.

Afogamento

Tudo de um segundo ao outro se tornou nada!
Foi empolgação, foi sonho...foi imaginação.

O desejo de se viver uma linda historia a fez fantasiar,
e como todo Carnaval tem um fim.
Ela viu que já era quarta de cinzas
e que a alegria do festim já não lhe cabia.

Foi pra o mar.. lavar suas mágoas.
E lá se deixou levar... pelo leve balanço das ondas.
que pouco a pouco a fez se soltar

lhe envolveu
lhe consumiu
lhe viciou
e por fim
lhe afogou

Ela chegou ao fim.
E foi assim que se despediu de si.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Selo de qualidade


Selo ganho do blog da magestosa e amada Paulinha.
Se não deruba, fortalece
Obrigada flor.


Tarefa do selo
Responder as perguntas:

Nome: Pri Carvalho
Uma música: A Sete Chaves - Malgore
Humor: Bipolar
Uma cor: Lilás
Uma estação: Outouno
Como prefere viajar: esperançosa e animada.
Um seriado: Lost
Frase ou palavra mais dita por você: seu/sua Linda!
O que achou do selo: Fantástico.

Indico o selo para os blogs:

Ensina-me a voar

Pote de sonho

Tocando estrelas...

Paradoxo-Inconstante

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Relato de um Doce Novembro

Descobrimento..essa foi a palavra de ordem!
Ela esteve presente em todos os momentos..e em todos os sentidos.
A tal da menina que contou essa historia me disse que foi nesse doce novembro que ela descobriu a paixão, a ternura, o carinho, a cumplicidade, a amizade e mas um bocado de outros sentimentos que nem sabe se tem nome..ou palavra que defina.
Tudo começou como sempre começa.. com palavras amargas sendo pronunciadas a esmo.. reclamações... frustrações sendo expelidas de um coração machucado, desajustado com o amor. E quando tudo não passava de nada ele surgiu.
Trouxe-lhe atenção... coisa tão estranha na vida dessa guria que ela até se assustou. Atenção, aplicada em todos os sentidos.. de notar e assistir, e sem que percebesse essa atenção trouxe mais, lhe deu o carinho, ele chegou tão tímido...mas tão intenso que podia sentir sua força a cada instante.
Do carinho venho a ternura.. todos os atos, palavras e sentimentos que a envolviam traziam consigo essa sensação.O carinho foi um pentelho danado que foi crescendo a cada dia e hoje já é quase um adulto..e a cumplicidade..essa chegou toda quietinha e agora dá gargalhadas a bom som. Foi neste momento que a guria olhou ao seu redor e notou que todos aqueles sentimentos que a cercavam e lhe faziam companhia davam as mãos uns aos outros e se revelavam como amizade, daquela bem pura e bem definida.. toda forte e bem brilhante... pois era amizade de ouro... daquelas que sentimos que são eternas e que se não tomarmos cuidado se transforma em amor.. do mais belo.
O novembro acabou mas sue gosto doce ela ainda o sente, e revive cada momento todos os dias ao despertar; pois é nos sonhos que ela escreve seu diário.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ela

Vai vivendo o que a vida lhe oferecer, refletindo sobre o irreflexível;
tentando se encontrar aonde não se perdeu.
Levando um dia após o outro
na tentativa de no amanhã encontrar o que não teve no ontem.
Vai vivendo em seus clichês...
Sua vida é um clichê!
Sempre nos quases,
sempre nos porquês...
Enfim.

sábado, 20 de novembro de 2010


Sempre ouviu que uma janela se abria a cada porta fechada.

Mas ninguém havia lhe dito que uma vela sempre acende quando a luz se apaga.


Mais uma noite de amargura, foi o que pensou ao se deitar. Todo aquele ritual de lágrimas a derramar já lhe era tão habitual que nem se assustava mais ao ver o dia clarear.

Noites ás claras mesmo na mais intensa escuridão.

Solidão, companhia constante. Decidira depois da primeira semana que para melhor acolher aquela que não lhe abandonara nunca, deixaria sempre uma luz acesa, por mais extinta que fosse lhe dava um conforto no desconforto e lhe permitia ver as cores de sua dor.


Meses na bruxulenta luz do velho abajur que sempre fora testemunha de seus amores e desamores.Voyer de todos os seus viveres.


Mas essa noite seria distinta, desde o clarear deste dia ela sentia que havia algo a mudar, que tudo aquilo não cabia mais a sua vida. Que novos ares deveriam entrar por sua janela e novas cores pintar seu dia.


Mesmo ao pressentimento de novas emoções seguiu seu dia abatida como de costume revivendo os mesmos choros, e sorrindo os mesmos sorrisos amarelados pelo uso.


A noite caiu mansa, calma, serena..e seu coração agitou-se, estava ansioso, a muito só batia pelo sofrer, mas esta noite seria diferente, ao brindar o brilho da lua ele sentiu novos motivos por pulsar, bombeava seu sangue de forma avassaladora, fazia suas veias pulsarem ao ritmo da respiração acelerada, toda a calmaria no por do sol, se transformara em emoção.Emoção não contida, não compreendida.


Ela refez seu ritual, encostou as janelas, permitindo que só uma leve brisa alcançasse o interior de seu quarto, acomodou-se em meio as muitas almofadas que revestia sua cama, recostou o livro que relia por um numero perdido de vezes, aquele que sempre sonhava virar realidade na sua própria vida, aquele que ele escrevera no inicio do romance, mas que não obteve o mesmo final feliz, de um casal idoso admirando o por do sol nos degraus da escada numa casa de campo, com o céu alaranjado e o amor selado pelo olhar apaixonado; ele partira.. não de maneira covarde.. insensível ou coisa qualquer, ele partira cumprindo o destino.Morrendo de forma tosca no retorno de uma viagem de divulgação do livro.


Ela, arrasada era a palavra que mais próximo chegava de seu estado de espírito. Desacreditava de tudo desde que perderá aquele que lhe fizera ver que existe um mundo e nele as possibilidades de se viver feliz.


Essa noite, depois de tantas emoções difusas ela decidira não deixar a luz de seu bruxulento abajur iluminar seu quarto.Decidira que naquela noite viveria a solidão junto a escuridão.Da forma mais pura e dolorida que se possa imaginar, sentiria a amargura da noite junto aos sentimentos derramados em forma de lágrimas.


Deitou-se, fechou o livro, enxugou a última lágrima ardente que acabara de lhe cair e num suspiro profundo pensou "Boa noite meu amor" ao passar a mão sobre o livro e a luz apagou.


Não acreditou em seus ouvidos quando a voz aveludada dele lhe responderá ' - Boa noite meu amor, a tanto espero para lhe dizer mais uma vez que te amo!"


Ela só acreditou no que ouvia ao ver aquela silhueta já tão bem decorada recostada a poltrona no pé da cama iluminada por uma vela, aquela mesma vela que ele sempre acendera para escrever; e na mesma postura que usava toda vez que a acordava ao meio da noite e lhe dizia : "é na pouca luz que a verdadeira historia se mostra e vejo além da folha de papel", e feito todas as vezes ela sorria-lhe o riso mais sincero e lhe dizia : " Amo-te a pouca ou a muita luz", e repetindo mais uma vez essas palavras ele lhe dizia agora : "- E eu a amo até mesmo a nenhuma luz."

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Definição no fim

Autentica, foi a definição que me deu no dia em que falamos do fim.
Sei que sou mesmo como o dicionário define:verdadeira, fidedigna e legitima.
Mas não era a melhor maneira de me definir no fim, um adeus, obrigada por tudo e pelo nada seria melhor compreendido.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A loja de Vidros


Ela sempre gostou de ir a loja de vidros, de observar as pessoas se moverem dentro dela.
Ver a delicadeza com a qual lidavam com os objetos, a minúcia de cada olhar,olhares atentos, preocupados... encantados. Amava notar como cada tinido de vidro alertava a brutalidade de um gesto mal medido, mal pensado, mal realizado.
Gostava de ficar ali.. sem ser notada, uma observadora nata.Gostava de ouvir as pessoas falarem baixo próximo as prateleiras, ela dizia que parecia que eles não queriam acordar os vidros, nem assustá-los com suas vozes estridentes.. sussurravam palavras.. conversavam a meia voz cuidadosamente e delicadamente.
Também lhe agradava ver as transparencias das peças.. notar as pequenas imperfeições de algumas peças que ao seu ver era o mais perfeito exemplo de beleza, sentia-se feliz em ver as nuances de cor em cada peça, de ver o translúcido dos vidros colorir-se a aproximação de cada cliente como se a pecinha de vidro tivesse encontrado a paixão de sua vida e corou, só não se agradava de ver a mesma pecinha perder a cor a cada abandono que sofria quando aquele que a fez corar partia.
Sempre que ia até a loja de vidros ela se sentia em casa, amava incontestavelmente aquele lugar... passava horas a andar por seus corredores, sentia-se plena ao ver suas peças... sentir suas energias. Ela sempre se perdia em delírios ali, sem cansar-se, nem entediar-se naquele lugar. Ali tudo era mágica, tudo era alegria.. tudo era encanto.
E de lá do seu canto ela notava que somente ali sua vida tinha encanto.
Sentia-se retratada lá, a loja era como sua vida, suas histórias e os vidrinhos como sua alma, frágil, delicada, transparente.Por vezes , assim como as peças da loja era bem acolhida, vista com ternura, cuidada com respeito e amor, era bem quista, sentia-se bem pelas pessoas se preocuparem com sua fragilidade e enxergarem beleza em sua singularidade; por outras assim como os vidrinhos mais antigos era abandonada ali, esquecida por ser transparente demais pra despertar interesse, sua beleza era simples demais pra encantar olhos fúteis... e isso a tornava por longos períodos gélida , desencantada, desacreditada de que um dia ainda ia corar mais uma vez a aproximação de um alguém.
A garota que todos os dias visitava a loja de vidros se via naquelas prateleiras, conhecia cada peça como conhecia a si mesma, sentia que tudo ali dentro era parte dela, que aquele lugar só se traduzia em algo tão particular, tão intimo, tão pertencente a ela que chegava a crer que ali era o reflexo de sua alma, porque como na loja ela também era resistente por fora, era normal, rústica, seca,mas que assim como a loja em seu interior, ali onde poucos conseguiam enxergar..nas mais distantes prateleiras da vitrine principal, aquelas que sempre possuíam um pouco de pó, ali residia sua verdadeira força, beleza, delicadeza... e seu amor... tão forte, tão resistente, tão atraente e tão frágil a ponto de passar despercebida.
A loja de vidros nada mais era do que aquela doce menina que sorria a quem se aproximava, sempre tão prestativa, tão atenta as necessidades dos demais que se esquecia de si mesma, e que sem grandes planos vivia a espera de um alguém tão transparente e singelo a ponto de reconhecer nela toda a beleza que possuía e que por ela se encantasse infinitamente a cada olhar e pensar, é ela esperava o amor.